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Diálogos Sobre Juventudes:
Impressões e Perspectivas
Pós Pré-Conferencia das Américas
Por Maria Conceição Freitas
Coordenação do Estado CUFA-BA
De 24 a 26 de maio, a Bahia sediou a Pré-Conferência das Américas, na cidade do Salvador. Durante três dias idiomas distintos se uniram para dialogar e construir a Carta da Bahia, uma prévia para a Conferência Mundial de Juventude, que acontecerá no mês de agosto no México. Entre culturas, cores e etnias, com a presença de jovens lideranças e ativistas das causas em defesa dos direitos da juventude, foram traçadas estratégias e maturadas propostas de intervenção para construção de políticas mundiais que contemplem a diversidade, respeitando as especificidades dos indivíduos, considerando as dimensões de raça, etnia, gênero, deficiência e orientação sexual da juventude.
Durante o encontro foram debatidas questões emergentes do universo da juventude, como emprego, pobreza, exclusão, saúde e equidade de gênero, violência e direitos humanos, justiça e segurança, sustentabilidade, educação e tecnologia, associativismo, cooperação e participação cidadã. Merecem destaque algumas reflexões que evidenciaram contextos similares da condição dos jovens e das jovens independente da geografia, pois é emergente um reposicionamento da juventude como elemento crítico e propositivo a cerca dos desafios e resultados para garantia de políticas sociais em nível mundial. Para Carine Clert, representante do Banco Mundial, é preciso que a juventude atente para os debates econômicos, pois segundo Clert, não teremos resultados com apelos exclusivamente voltados aos direitos garantidos através das políticas públicas, pois o debate deve ser no âmbito da economia, ou seja, partir de uma lógica inversa para garantir êxito nos diálogos, mostrando às instâncias de poder fragilidades financeiras estabelecidas por outras fragilidades, como a má qualidade da educação, da saúde, da segurança, dentre outras.
Ainda do ponto de vista da política foram apontadas questões como a necessidade de utilizar ferramentas ideológicas e não necessariamente políticas, mas sem dissociá-las, dando ênfase a intersetorialidade ministerial e investimentos em mecanismos de prevenção e não somente de controle da violência, afinal prevenir é economicamente mais viável que a repressão, com comprovação que os espaços de reclusão potencializam a reprodução de violência, bem como, de estudos que levem ou apontem soluções que prioritariamente constituam ações de intervenção em caráter simultâneo em territórios de risco. Para tanto o investimento desemboca no recorte da educação, por meio de mudanças no ambiente escolar, através da educação integral e integrada, inclusão digital e tecnológica e uma massiva campanha educacional que contemple jovens no âmbito urbano e do campo, considerando as diferenças existentes entre jovens de ambos os espaços.
No Brasil não havia organismos institucionais voltados para juventude, mas em 2003 o Presidente Lula retoma compromisso de campanha sobre a criação de uma política nacional de juventude, gerando a criação da reunião especializada de juventude no MERCOSUL e o fórum dos gestores de juventude, instituindo também o dia nacional da juventude, 12 de agosto. Portanto, a troca de saberes proporcionada na Pré-conferência, confirma que, guardando devidas proporções, mas quem em linhas gerais a condição do segmento da juventude é próxima e vai para além do espaço geográfico e que a violência é o maior problema social que aflige jovens no mundo, ferindo os direitos humanos, geralmente impulsionada por por outros fatores de risco. Por fim fica a seguinte reflexão: ‘Os jovens e as jovens não são perigosos, estão sim, em condição de perigo’.
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